segunda-feira, 18 de maio de 2009

Antropofagia

Mate-se o Rei,
Saqueie-se o Templo,
Queimem-se as casas.

Já nada faz sentido,
Nada, sem a Grande Desgraça,
Esperemos por ela
como a noite espera o dia,
Agora, que já ninguém nos pode salvar;

Nada é possível,
Apressemos o fim,

Mas faremos amor,
Trabalhemos,
Construamos as nossas casas
(até com telhados de colmo),
Falemos das nossas políticas,
Gastemos o nosso dinheiro.

Tudo é permitido aos que morreram.

2 comentários:

Lugones disse...

Bom poema, caríssimo. A última frase é de antologia.

Aristotélico disse...

Eu sei que este tema lhe é muito caro, amigo Lugones...